Sabia que o hidromel já foi citado em um dos programas mais clássicos da televisão brasileira?
Muito antes de o hidromel começar a ganhar espaço no Brasil, a bebida já havia sido mencionada em uma das cenas mais curiosas da televisão nacional. Na década de 1990, em uma época em que pouquíssimos brasileiros sequer sabiam o que era hidromel, seu nome apareceu em plena Escolinha do Professor Raimundo.
Exibido pela TV Globo e comandado por Chico Anysio, o programa reuniu alguns dos maiores nomes da história da comédia brasileira. Entre os alunos daquela inesquecível sala de aula estava Rolando Lero, personagem interpretado por Rogério Cardoso e conhecido por sua extraordinária capacidade de falar muito sem responder absolutamente nada.
Quando não sabia uma resposta, Rolando Lero criava histórias mirabolantes, citava supostos amigos importantes e tentava enrolar o Professor Raimundo pelo máximo de tempo possível. Foi em uma dessas cenas que surgiu uma pergunta bastante inesperada:
“Quem foi que roubou o hidromel dos poetas?”
Sim, hidromel. A bebida fermentada de mel, considerada uma das mais antigas da humanidade, foi parar em plena Escolinha do Professor Raimundo.
Como era de se esperar, Rolando Lero não sabia a resposta. Mas admitir isso nunca foi uma opção para o personagem, que imediatamente começou uma de suas clássicas histórias para tentar escapar da pergunta. Era justamente essa a essência de Rolando Lero: transformar uma resposta desconhecida em vários minutos de enrolação, exageros e histórias cada vez mais absurdas.
Mas afinal, quem roubou o hidromel dos poetas?
Se você acompanha o Hidromelier há algum tempo, talvez já saiba a resposta. Eu já contei aqui no canal a história do famoso Hidromel da Poesia, um dos mais fascinantes mitos envolvendo a bebida e uma das narrativas mais importantes da mitologia nórdica sobre o hidromel.
Segundo o mito, o Hidromel da Poesia foi criado a partir do sangue de Kvasir, um ser conhecido por sua extraordinária sabedoria. A bebida concedia o dom da poesia, da inspiração e do conhecimento a quem a bebesse, até acabar sob a proteção do gigante Suttung.
Foi então que Odin decidiu tomar o precioso hidromel. Usando disfarces, sedução e astúcia, o deus conseguiu beber a bebida e fugir em direção a Asgard, levando consigo o Hidromel da Poesia.
O “Hidromel da Poesia” não é apenas um mito sobre divindades, mas sim uma justificativa na cultura nórdica para a existência de pessoas criativas e sensíveis, aqueles com o dom das palavras como poetas, músicos, atores… ou seja, o mito é como a mitologia nórdica explica o surgimento dos artistas.
Portanto, a resposta que Rolando Lero tanto tentou evitar era simples:
Odin.
O mais interessante é perceber que, por trás de uma pergunta aparentemente aleatória em um programa de humor, existia uma referência a um dos mitos mais famosos de toda a história do hidromel. Uma referência que provavelmente passou despercebida por grande parte do público brasileiro naquela época.
Quando o hidromel apareceu na televisão brasileira
A cena se torna ainda mais curiosa quando lembramos do contexto em que foi exibida. Na década de 1990, o hidromel estava muito distante da popularidade que começaria a conquistar décadas depois com o crescimento dos produtores brasileiros, dos eventos medievais, da cultura cervejeira e do interesse pela mitologia nórdica.
Ainda assim, a palavra “hidromel” foi pronunciada em um dos programas mais populares da televisão brasileira. Para muitos espectadores, aquela pode ter sido a primeira vez que ouviram falar na bebida, mesmo sem fazer ideia do que ela significava.
Hoje, para quem acompanha o universo do hidromel, a cena ganha um significado ainda mais divertido. No meio de personagens inesquecíveis, bordões que atravessaram gerações e histórias completamente absurdas, uma das bebidas mais antigas da humanidade conseguiu encontrar seu espaço na televisão brasileira.
E pensar que, em plena década de 1990, milhões de brasileiros podem ter ouvido falar em hidromel pela primeira vez graças a Rolando Lero.
Captei vossa mensagem, amado mestre!